05 mai 2026 · 5 min de leitura
Como defino preços como freelancer
Preço por valor, pacotes fechados e o erro clássico de cobrar à hora — o meu sistema.
Durante anos cobrei à hora, e foi o maior travão ao meu rendimento: quanto mais rápido e mais bom ficava, menos ganhava. Hoje trabalho quase sempre por projeto, com preço fechado. A mudança não foi de um dia para o outro, mas o sistema que uso hoje tem três passos e tem-se aguentado.
Tudo começa por descobrir o valor — quanto vale o problema resolvido para o cliente. Uma loja online que fatura 10 mil euros por mês não pode custar o mesmo que um site de cartão de visita, mesmo que o esforço de construção seja parecido. É por isso que pergunto sempre pelos números do negócio antes de falar de preço. Sem esse contexto, qualquer valor é um palpite.
Com o valor na mão, apresento pacotes em três níveis: essencial, recomendado e premium. A maioria escolhe o do meio, e o cliente mantém a sensação de controlo — está a escolher, não a aceitar um ultimato. O detalhe que mais me poupou dores de cabeça: cada pacote tem âmbito fechado por escrito. O que inclui, o que não inclui, e quanto custa cada extra. Âmbito vago é prejuízo garantido.
O último passo é o dinheiro: sinal de 30% a 50% antes de começar, e o resto por marcos de entrega. Quem hesita no sinal vai quase sempre hesitar no pagamento final, pelo que o sinal funciona também como filtro.
E é aqui que fecho o círculo: preço é filtro de clientes. Os que só querem o mais barato são, na prática, os mais caros em dores de cabeça — mais revisões, mais "só uma alteração rápida", mais atrasos no pagamento. Cobrar bem não é ganância, é manter o negócio saudável para poder dar bom serviço a quem o merece.
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