08 set 2026 · 5 min de leitura
IA no dia a dia de um developer
Onde a inteligência artificial já me poupa horas por semana — e onde continuo a não lhe tocar.
Uso IA todos os dias — mas não para tudo. Aprendi à força de erros onde ela acrescenta valor e onde só cria trabalho extra, e a fronteira entre as duas coisas é mais clara do que parece.
Onde ela brilha é no trabalho repetitivo e de baixo risco: gerar scaffolding e boilerplate, escrever testes unitários a partir de código existente, explicar erros obscuros de compilação, redigir documentação. Nestas tarefas poupa-me facilmente uma a duas horas por dia, e o resultado final é sempre revisto por mim.
Onde não lhe toco: decisões de arquitetura, código de segurança e encriptação, e lógica de negócio crítica. A razão é simples — a IA sugere o caminho mais comum, não o mais correto para o teu caso. Nestas zonas, ou revejo tudo linha a linha, ou escrevo eu mesmo.
Daí a regra que sigo e que resume tudo: a IA escreve o rascunho, eu sou o revisor responsável. Nunca faço commit de código que não perceba totalmente. Se não consigo explicar o que uma peça de código faz, não a devia ter aceite — e já apanhei coisas destas em código que parecia perfeito.
Para quem está a começar, o conselho pode parecer contraintuitivo: aprende primeiro os fundamentos sem IA. Depois usa-a como acelerador, não como muleta. A diferença entre um júnior com IA e um sénior com IA continua a ser o julgamento — e isso só se ganha a programar.
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