15 set 2026 · 5 min de leitura
Porque construo apps desktop em 2026 (e com Tauri)
Offline-first, privacidade e binários leves — porque volto ao desktop com Tauri em vez de Electron.
Construir software de desktop parecia, há uns anos, uma decisão retrógrada. Tudo ia para a web. Mas quando comecei a desenvolver os meus produtos — o Quantio, o PassVault e o 2FA Authenticator — a resposta foi exatamente o contrário: aplicações de desktop, instaladas no computador de quem as usa. E a razão é quase sempre a mesma.
A primeira é privacidade. Uma app de gestão financeira, um gestor de passwords e um gerador de códigos 2FA são, por natureza, dados que ninguém quer enviar para um servidor. No desktop, os dados ficam no disco do utilizador, e essa promessa é simples de fazer e simples de cumprir. Prometer "os seus dados são seus" só é credível quando a arquitetura o obriga.
A segunda é offline. Não é um extra de retro-compatibilidade: há muito contexto — empresas, casas, viagens — onde a ligação é má ou inexistente, e uma ferramenta que não funciona sem internet não é uma ferramenta. Uma app local responde em milissegundos e nunca mostra "sem ligação".
A escolha da ferramenta foi o Tauri, em vez do Electron. A diferença prática é enorme: em vez de embutir um Chromium inteiro em cada aplicação, o Tauri usa o webview nativo do sistema e a camada pesada é escrita em Rust. O resultado são binários pequenos, memória contida e arranque rápido — o PassVault e o 2FA Authenticator instalados ocupam uma fração do que seria um app Electron equivalente.
Claro que há trade-offs: o webview varia entre sistemas, e se a tua app precisa de correção pixel a pixel em todo o lado, há mais trabalho de teste. Para as minhas aplicações, o custo compensou — e para apps de produtividade offline, o desktop voltou a ser a escolha óbvia.
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